“Leiam o Evangelho todos os dias”

Papa Francisco pede que leiamos o Evangelho todos os dias, o que deve ser uma
necessidade pessoal!

No Domingo da Palavra (24/01), algumas pessoas representando o Povo de Deus receberam uma edição especial da Bíblia na Casa Santa Marta, no Vaticano. Um gesto para reforçar o que o Pontífice enalteceu no Angelus, quando incentivou todos a ter o hábito de sempre levar um pequeno Evangelho no bolso para poder ler “durante o dia, pelo menos três, quatro versículos” (Vatican News, 25 de janeiro).

De tudo o que já li e leio na minha vida absolutamente nada me conquistou mais do que as Sagradas Escrituras. Ela chegou cedo, ainda no Grupo de Jovens e no Crisma. Infelizmente não vivo seus ensinamentos como deveria e como desejo, mas, uma coisa é certa, minha vida teria tomado outro rumo se aquelas palavras não tivessem me conquistado e abraçado desde sempre. A vida, a história, o caminho, presente e o futuro são vistos por outro ângulo depois que aquelas palavras passaram a fazer parte da minha existência. Sim, leiamos o Evangelho todos os dias!  

Marcos

Amizade: a vida pede companhias que edificam a nossa vida

No dia Internacional da amizade, 20 de julho, vale refletir sobre o conceito em nosso dias e a sua importância. Jesus deu a vida por seus amigos e nos ensina a viver a amizade.

No dia 20 de julho o Brasil celebra o “Dia Internacional da Amizade”. Foram os Gregos que definiram os três tipos de amor: Ágape, Eros e Filia (amor de amizade). Os filósofos escreveram bonitos textos sobre o amor benevolente entre duas pessoas. Aristóteles dizia que “devemos querer bem ao amigo por ele mesmo”, pois isso faz parte, primeiramente, do amor que temos a nós mesmos. É fato que o conceito de amizade se confunde com contextos atuais, quando as redes sociais parecem ter banalizado a definição de se ter um amigo. Os tais “amigos seguidores”, infelizmente, gerou a campanha de likes, interesses de visibilidade e econômico, e sempre beirando a cultura do descartável.

Não sigamos sozinhos e não cuidemos apenas de nossas coisas. A vida pede “companhias que edificam” a nossa vida. “Chamo-vos amigos” (Jo 15,15), disse Jesus aos seus discípulos.

Mas, a amizade continua com sua vocação, seu mistério e sua missão na vida humana. Já não somos suficientemente felizes sem amizades verdadeiras. As páginas bíblicas e o caminho da fé cristã narram as mais diversas histórias de relações de amizades fecundas, bonitas e construtivas quando refletimos sobre elas no hoje. A amizade tem duas características pilares: a gratuidade e a reciprocidade. Alguém se torna objeto de nossa preferência e não sabemos explicar o amor que nasce em nós por um amigo, não obstante nossas diferenças. Não sigamos sozinhos e não cuidemos apenas de nossas coisas. A vida pede “companhias que edificam” a nossa vida. “Chamo-vos amigos” (Jo 15,15), disse Jesus aos seus discípulos. E essa amizade  foi provada com a doação da própria vida. Jesus nos ensina a viver a amizade verdadeira. Conquistar e cultivar, sempre! Feliz Dia do Amigo!

A chama da fé acesa e coesa

A luz da fé, encíclica do Papa Francisco é de grande valor e nos ajuda a pensar e viver a fé cristã nos dias de hoje.

Gosto muito da Primeira Encíclica do Papa Francisco, “Lumen Fidei”(2013), a primeira do seu Pontificado, exatamente porque traz uma reflexão muito pertinente sobre a fé, seu caminho, sua utilidade para o passado e, surpreendentemente, sua importância para os tempos modernos, eu diria, tempos de inteligências e velocidade científicas assustadoras e impactantes. Ao contrário do que muitos pensam, “a fé tem a capacidade de iluminar  toda a existência humana”. Diz a Encíclica: “Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direção” (nº 3).

Felizes daqueles que, não obstante suas fragilidades, conseguem ir além do sentimentalismo e enxergam o outro lado da fé: a luz interior, a comunhão, a humanidade e a caridade.

Muitos de nós já tivemos dias difíceis, tempos nebulosos, crises existenciais, “noites escuras”, como chamaram os Santos místicos. Coisas diversas de nossas fases até aqui provocaram as escuridões, mas, o mais importante, a chama da fé não apagou. Falo da fé cristã, da fé que nasce da relação entre Deus e o Homem, mediada pelo Filho Jesus. Foi Ele quem fez arder o nosso coração, como aconteceu com os discípulos de Emaús, e a pessoa que sempre fica a sós conosco quando todos se retiram, como aconteceu com Maria Madalena. Felizes daqueles que, não obstante suas fragilidades, conseguem ir além do sentimentalismo e enxergam o outro lado da fé: a luz interior, a comunhão, a humanidade e a caridade.  Que a chama da fé em nós permaneça sempre acesa e coesa!  

Sofremos mudanças em todo o tempo da vida

A pandemia é um contexto favorável para lições e aprendizados, como sempre tem sido em nossa vida!

O tempo de pandemia que “ainda vivemos” (e com a preservação da vida, graças a Deus) certamente provocou mudanças em muitos de nós, mesmo que agora não as percebamos por completo. O passar dos meses e até dos anos nos dará as maiores clarezas do que aconteceu conosco. As mudanças externas são bem perceptíveis, mas, ao se tratar da mente e do coração é diferente. É claro que acredito que muita gente desperdiça as oportunidades para pensar, refletir e tirar aprendizados e lições. Todos conhecemos pessoas que, apesar de serem “sabidas”, não sabem aproveitar as ocasiões diversas e adversas para o crescimento pessoal e profissional. Também nós já fomos assim um dia!

As vicissitudes nos amadurecem se sabemos vive-las com inteligência, estratégica, fé e esperança.

As mudanças são diferentes, conforme o contexto pessoal, mas devemos crer que tudo concorre para o nosso bem, desde que saibamos interpretar as situações. Aprendi muito ao longo dos anos lendo as melhores histórias e contextos nas Sagradas Escrituras. E daí, com o desenrolar da nossa vida, tais como família, estudos, saúde, profissão, namoro, casamento, filhos e etc., vieram as nossas lições e aprendizados, que só terminam com a morte. Sofremos mudanças em todo o tempo da vida. As vicissitudes nos amadurecem se sabemos vive-las com inteligência, estratégica, fé e esperança. A pandemia é apenas um contexto que pode nos revelar o que não aconteceria por outra forma. Perceba as suas lições e as viva bem!

Vou continuar rabiscando, pois é uma das coisas que traz paz!

As mudanças na história mantêm intacto o fio condutor da vida. Portanto, não devemos nos distanciar de nossa essência e nem enterrar o talento nos confiado!

Quando resolvi mudar o meu blog de “blogspot” para “Wordpress” tomei a decisão de não começar do zero, como era o meu desejo maior. Acabei trazendo o backup dos posts escritos desde 2010, sempre de cunho religioso. A pretensão passou a deixá-los presentes e ter a oportunidade de continuamente vê-los, analisá-los, compará-los e até atualizá-los. Vejo através deles todo um contexto em que foram redigidos, e é interessante se transportar ao mundo de cada texto e entrar em suas intenções interiores e exteriores. Afinal de contas, nossa história de vida tem suas fases, seus contextos, mas ela não é quebrada, continua a ter um fio condutor, por mais que tomemos novos caminhos e passemos, vivamos experiências diversas e tenhamos muitas transformações.

Nossa história de vida tem suas fases, seus contextos, mas ela não é quebrada, continua a ter um fio condutor, por mais que tomemos novos caminhos e passemos, vivamos experiências diversas e tenhamos muitas transformações.

O blogdomarcos.com faz parte da continuidade despretensiosa de não me calar e não enterrar o pouco dos meus talentos. Não sou jornalista, escritor e muito menos especialista no que escrevo, mas nem por isso devo me calar e temer rabiscar. Da mesma forma acontece a luta permanente de aproximar o escrito e a vida. Ainda assim não devemos deixar de fazer o que pode ser bom para uma única pessoa! As pessoas não conhecem o mundo que acontece por dentro de nós, os devidos impactos que nos sobrevêm na história, ocorridos com a idade, as alegrias, as dores e as conquistas.

É possível quebrar o gelo de muitos corações e mostrar a elas o segredo da felicidade, mesmo diante de nossas infelicidades, o que não é fórmula, mas vida concreta.

O grande desafio é não querer a repetição, mas a inovação sem perder a essência do que somos. Os tempos mudaram e hoje os conceitos, as ferramentas e as formas de vida exigem uma linguagem para lá de desafiante, mas é possível quebrar o gelo de muitos corações e mostrar a elas o segredo da felicidade, mesmo diante de nossas infelicidades, o que não é fórmula, mas vida concreta. Vou continuar rabiscando, pois é uma das coisas que traz paz!  

A necessária dúvida com os protótipos de felicidade em nossos dias

Os novos tempos sombrios apresentam modelos de felicidade que nos distanciam da nossa essência, por isso a necessidade de pensar e duvidar sobre a vida é latente!

Nossa geração não viveu os tempos sombrios daqueles que nos precederam. Identificamos no mais próximo momento da história os horrores dos Campos de Concentração (destaque para Polônia, a partir de 1933) e a Ditadura Militar no Brasil (1964). Os anos de democracia e liberdade deram espaço para todas as formas de vida e liberdades de expressão. Tudo isso é bom, mas também, inevitavelmente traz consigo as ideologias, os “partidos” e as formas de pensar, crer e viver e que vão na contra mão do bem comum, do ético e do justo. Mas é preciso lembrar que os nossos parâmetros de verdade podem não ser os mesmos para outras pessoas. Sempre estaremos diante do desafio de discernir o justo interesse coletivo, a preservação da dignidade pessoal e a essência de cada um, seja negro ou branco, ateu ou crente, pobre ou rico, leigo ou letrado.

Nossos parâmetros de verdade podem não ser os mesmos para outras pessoas. Sempre estaremos diante do desafio de discernir o justo interesse coletivo, a preservação da dignidade pessoal e a essência de cada um, seja negro ou branco, ateu ou crente, pobre ou rico, leigo ou letrado.

Diante do que vivemos neste início de Séc. XXI, outra vez somos levados pelo parâmetro da “dúvida”. Para o pai da filosofia moderna, René Descartes (nascido em 1596), a dúvida foi o “motor principal” e o método para a arte do homem, a arte do conhecimento de si próprio e a capacidade de duvidar e de pensar. Utilizo-me da arte de duvidar para falar não do homem em si, mas de tudo que o circunda, das promessas de felicidade que se embaraçam com muitas formas de egoísmos, violência e destruição. Não bastasse o mundo ser freado por uma pandemia e constatarmos que o universo da tecnologia, da riqueza e do poder não podem fazer o homem satisfeito em sua busca de felicidade, temos ainda os horrores que nos desumanizam. E assim queremos ainda mais o rosto do artífice da felicidade para não nos conformarmos com os seus protótipos. A dúvida para com as promessas de felicidade hoje nunca foram tão latentes, porque diz respeito à nossa essência.

Queremos ainda mais o rosto do artífice da felicidade para não nos conformarmos com os seus protótipos. A dúvida para com as promessas de felicidade de hoje nunca foram tão latentes, porque diz respeito à nossa essência.

Juntemos os tempos sombrios de outrora, provocados por ideologias e propostas de felicidade, com tudo o que nos é apresentado por este mundo de fascinantes descobertas e conquistas, mas de grande pobreza humana com dores existenciais ignoradas e que parecem nos envergonhar diante de tudo o vemos e vivemos diariamente. Os racismos, os ataques ideológicos, os interesses econômicos de nações, o desgoverno, a omissão dos órgãos públicos com as injustiças, a banalização da vida pela predominância do dinheiro, o ódio político e os diversos tipos de divisão em nossa sociedade e a indiferença com a pobreza, vemos que “nem o sol, nem Deus e nem o homem é mais o centro do universo, mas o dinheiro!” Estes são também tempos sombrios, ainda que mais velados. Não podemos deixar de duvidar dessa caricatura de vida social que vemos e que tenta nos enquadrar. Ainda temos o farol do justo interesse coletivo, da dignidade humana e da essência de cada pessoa.

Pentecostes: Deus ainda pode te usar!

Na Solenidade de Pentecostes podemos meditar na visita do amor de Deus e pedir sempre ao Espírito Santo que venha sobre nós e nos renove outra vez!

Quando nós, os católicos, somos crianças os sacramentos do Batismo e do Crisma constituem partes essenciais de nossa vida cristã a tomar forma. Lembro bem que foi com o Crisma que “alguma coisa” havia mudado dentro de mim, ainda que não soubesse do que se tratava. Nascia ali uma consciência de ter fé em Deus e a descoberta de que tudo aquilo que acontecia (dentro e fora de mim) é o que chamamos de “vida cristã”. As etapas seguintes vividas fizeram a consciência cristã amadurecer. Jesus Cristo era a grande descoberta! As necessidades de se ler, conhecer, perguntar, observar, responder, ensinar, viver e crescer eram partes indissociáveis. Eu diria, como canta Pe. Zezinho Oliveira (SCJ), numa canção antiga, que “essa relação com a Pessoa de Jesus me deixou inquieto até hoje”.  

No dia que a Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes de 2020 e meditamos na liturgia o envio do Espírito Santo aos discípulos (cf. Jo 20,19-23), mesmo que ainda estejamos sem celebração presencial no Brasil, esta é uma oportunidade para se pensar nessa tal “inquietude da vida”. Não a mesma que vive o adolescente, mas aquela provocada pela presença do Espírito Santo em nós. É verdade que não somos e nem vivemos como deveríamos, pois o pecado nos assola muitas vezes, mas um sinal claro de que o sopro de Deus pulsa é o convencimento sempre do pecado, o esforço para mudar, o “ser diferente” neste mundo diverso e a inquietude consciente em termos algo a contar para os outros.

É verdade que não somos e nem vivemos como deveríamos, pois o pecado nos assola muitas vezes, mas um sinal claro de que o sopro de Deus pulsa é o convencimento sempre do pecado, o esforço para mudar, o “ser diferente” neste mundo diverso e a inquietude consciente em termos algo a contar para os outros.

O Espírito Santo surpreende nossa vida sempre, como o fez naquele lugar com as portas trancadas. Os escritos do Novo Testamento mostram que aqueles homens do Cenáculo de Jerusalém nunca mais foram os mesmos. Felizes aqueles que carregam consigo a inquietude da visita do amor misericordioso de Deus. Conhecemos bem quais as “trancas do nosso coração” e a necessidade de que Jesus entre, pois temos medos, decepções e inseguranças. É o Espírito Santo que nos convence de que “Deus ainda pode nos usar!”, como diz uma canção gospel. Esta é uma verdade absoluta de fé. Nunca deixe de pedir: Vem, Espírito Santo!

Comunidade Shalom e a pandemia: o anúncio do amor de Deus é urgente!

A Comunidade Shalom se adaptou rapidamente em atender às necessidades do povo de Deus em tempos de pandemia e isolamento social.

Tenho observado a vida de algumas comunidades católicas renovadas no Brasil desde quando iniciamos o tempo da quarentena. A meu ver, a Comunidade Católica Shalom (sede em Fortaleza / Aquiraz), certamente foi a que mais rápido e de forma criativa, ousada e eficaz se adaptou às necessidades de evangelização no mundo digital. Com a pandemia e todas as atividades sacramentais suspensas nas Igrejas de todo o país, e o Shalom com seus muitos serviços à “grande obra”, ou seja, aos milhares de engajados nos seus centros de evangelização espalhados pelo Brasil e pelo mundo, não podia perder tempo em suprir a necessidade do povo de Deus. Afinal, o Evangelho não pode esperar!

O coronavírus não apenas afastou as pessoas da celebração da fé comunitária, mas também gerou com o isolamento a solidão, a angústia, o medo, a ansiedade, as doenças, as perdas de familiares e amigos, etc. O homem não pode esperar, temos que nos antecipar e levar até ele o amor de Deus, o anúncio de Jesus Cristo através do Evangelho, pois é esta a sua urgência maior. A Comunidade Shalom sempre falou a linguagem do homem moderno e esteve conectada às dores reais e mais profundas da condição humana. Dentre muitos serviços, destaco a Capela Virtual com Missas diárias (Adoração online), Centro de Evangelização Virtual, o projeto “Shalom Amigo dos Pobres” (moradores de rua e aos que estão com sintomas da Covid-19) e o Atendimento e Acompanhamento virtual. Tantas ações que me impressionaram, acompanhadas pelo youtube, pelas notícias e pelo seu Portal na internet.

O homem não pode esperar, temos que nos antecipar e levar até ele o amor de Deus, o anúncio de Jesus Cristo através do Evangelho, pois é esta a sua urgência maior.

João Paulo II, Santo, que teve o seu centenário de nascimento celebrado recente, dizia que “é preciso ir ao homem de hoje com novos métodos e nova linguagem”, e esta sempre foi uma realidade muito viva e real na Comunidade Católica Shalom. Certamente uma “oportunidade única” – ainda que pelo isolamento e pela dor -, de alcançar a muitas pessoas que outrora estavam dispersas e que se quer tinham Deus na agenda de suas vidas. A salvação chegou a muitos! “Toda oportunidade é única para que a pessoa que está diante de nós possa conhecer a misericórdia de Cristo” (Moysés Azevedo, fundador, na Carta à Comunidade, Páscoa de 2005). Termino com o coração no Evangelho quando fala que “a alegria não deve ser pelas nossas obras, mas pelo nosso nome inscrito no céu!” (cf. Lc 10,17-20).

CONHEÇA: Portal Shalom | Capela Virtual | Serviços

Por: Marcos de Aquino 

Deus nos deu uma nova maneira de tecer nossas histórias!

Dia Mundial das Comunicações Sociais 2020 – reflexão sobre o tear da vida humana, histórias boas e ruins e a memória da nossa salvação.

Ainda no início de fevereiro de 2020 quando li a Mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no domingo, 24 de maio, fiquei impressionado com a riqueza do texto, sua narrativa, sua mensagem forte e atual. Confesso que passei dias lendo, relendo, meditando, pesquisando e pensando na vida do mundo e suas comunicações, nas histórias com as quais convivemos e, claro, pensando na minha vida.

O papa construiu a Mensagem baseada no livro do Êxodo 10,2 – “Para que possas contar e fixar na memória (Ex 10, 2). A vida faz-se história”. Trata-se de um texto dedicado a todos os Comunicadores de forma especial, sobretudo os cristãos, mas também a todas as pessoas, e nos faz compreender que a vida é feita de histórias, um verdadeiro tear, no qual são tecidas histórias humanas ruins e boas. Encontramos histórias de falsidade, violência e consumismo; histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. O texto nos insere no mundo que vivemos do tear das comunicações modernas com informações falsas e discursos banais persuasivos, que mostram ódio e provocam divisões e condenações. Isso não tece a história humana, mas despoja o homem da sua dignidade.

Mas, em contrapartida, há histórias que nos ajudam a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos; histórias que falam de nós mesmos e do que nos habita”.

Papa Francisco

Usando termos modernos sobre ferramentas da comunicação social, o Papa cita Storytelling e deepfake para dizer que precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia. A  Sagrada Escritura é uma História de histórias. Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta!

Francisco descreve na maior parte da sua mensagem a história da nossa salvação, a memória do que Deus fez um dia pela humanidade e por nós e que nunca é inútil narrar a Deus a nossa história, e ainda que permaneça inalterada a crônica dos fatos, mudam o sentido e a perspectiva.

Em Jesus Deus teceu-Se pessoalmente com a nossa humanidade, dando-nos assim uma nova maneira de tecer as nossas histórias.

Papa Francisco

Podemos narrar a Jesus as histórias que vivemos e conduzir as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cosendo as rupturas e os rasgões. Todos nós precisamos disso! Que Maria nos ajude, ela que teceu a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – teceu conjuntamente tudo o que Lhe acontecia. a Virgem Maria tudo guardou, meditando-o no seu coração (cf. Lc 2, 19). Peçamos-Lhe ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com a força suave do amor.

Deus abençoe a todos os Comunicadores, para que usemos os meios e ferramentas de forma criativa na construção daquilo que dignifica a humanidade. (Por: Marcos de Aquino)

A amizade e a oração além de nossas limitações!

Temos segurança em confidenciar nossas dores e alegrias com a amizade sincera.

Há contextos na vida com os quais, no primeiro momento, já não sabemos exatamente o que fazer, embora em nossos dias disponhamos de ferramentas, meios, caminhos alternativos, além daquela onda de autoajuda acessível e sedutora que nos cerca. Há pessoas com respostas prontas, com forças extraordinárias, com atitudes imediatas e nos perguntamos até se determinadas situações não as atingem.

Muitos de nós temos até vergonha de sentir tristeza, dor, medo, tédio e solidão. Não somos livres nem mesmo para viver o momento que a alma e o coração necessitam. Choramos escondidos e temos o dever de mostrar que está tudo bem conosco, mas a gente sabe que muitas vezes as coisas andam bem difíceis na vida e viver determinadas cruzes não significa que somos fracassados ou  pessoas com espírito fraco.

Outro dia perguntei a uma amiga que mora distante de Fortaleza se estava tudo bem com ela, no que me respondeu: “Amigo, não está tudo bem, mas tem muita coisa bem!”. Considerei a resposta dela verdadeira, transparente, madura e honesta. Sabemos que não é qualquer pessoa que deve saber da nossa vida e para essa basta um “estou bem”, mas, a quem se quer bem e confia vale a liberdade em mostrar com equilíbrio um pouco de nossas aflições. Escutei recente uma amiga falar de sua dor na reação a três, mãe, pai e filha. Concluiu com um pedido sincero:

“Amigo, confesso que eu não queria que fosse o fim do nosso relacionamento, pois desejei muito que desse certo! Mas, em nome da dignidade pessoal e da nossa felicidade eu preciso seguir minha vida. Espero que um dia ele reconheça a pessoa que perdeu e é bem provável que seja tarde demais! Ore por mim!”

Sabemos que, necessariamente, não andamos atrás de respostas prontas, mas apenas que alguém entenda e deseje ficar ao nosso lado com maturidade, presença, confiança e escuta. A gente ajuda alguém muitas vezes sem conseguir dizer uma única palavra. O amor, a amizade e a oração vão além de nossas limitações! Dizem as Escrituras Sagradas que “um coração alegre facilita a cura, um espírito abatido resseca os membros” (Pr 17,22). Que nossas estações  sejam um tempo de educação, não uma estação permanente, e que não tenhamos medo e esqueçamos que há amigo mais fiel que irmão” (Pr 18,24). Nele podemos confiar!

Por: Marcos de Aquino