Deus nos deu uma nova maneira de tecer nossas histórias!

Dia Mundial das Comunicações Sociais 2020 – reflexão sobre o tear da vida humana, histórias boas e ruins e a memória da nossa salvação.

Ainda no início de fevereiro de 2020 quando li a Mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no domingo, 24 de maio, fiquei impressionado com a riqueza do texto, sua narrativa, sua mensagem forte e atual. Confesso que passei dias lendo, relendo, meditando, pesquisando e pensando na vida do mundo e suas comunicações, nas histórias com as quais convivemos e, claro, pensando na minha vida.

O papa construiu a Mensagem baseada no livro do Êxodo 10,2 – “Para que possas contar e fixar na memória (Ex 10, 2). A vida faz-se história”. Trata-se de um texto dedicado a todos os Comunicadores de forma especial, sobretudo os cristãos, mas também a todas as pessoas, e nos faz compreender que a vida é feita de histórias, um verdadeiro tear, no qual são tecidas histórias humanas ruins e boas. Encontramos histórias de falsidade, violência e consumismo; histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. O texto nos insere no mundo que vivemos do tear das comunicações modernas com informações falsas e discursos banais persuasivos, que mostram ódio e provocam divisões e condenações. Isso não tece a história humana, mas despoja o homem da sua dignidade.

Mas, em contrapartida, há histórias que nos ajudam a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos; histórias que falam de nós mesmos e do que nos habita”.

Papa Francisco

Usando termos modernos sobre ferramentas da comunicação social, o Papa cita Storytelling e deepfake para dizer que precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia. A  Sagrada Escritura é uma História de histórias. Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta!

Francisco descreve na maior parte da sua mensagem a história da nossa salvação, a memória do que Deus fez um dia pela humanidade e por nós e que nunca é inútil narrar a Deus a nossa história, e ainda que permaneça inalterada a crônica dos fatos, mudam o sentido e a perspectiva.

Em Jesus Deus teceu-Se pessoalmente com a nossa humanidade, dando-nos assim uma nova maneira de tecer as nossas histórias.

Papa Francisco

Podemos narrar a Jesus as histórias que vivemos e conduzir as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cosendo as rupturas e os rasgões. Todos nós precisamos disso! Que Maria nos ajude, ela que teceu a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – teceu conjuntamente tudo o que Lhe acontecia. a Virgem Maria tudo guardou, meditando-o no seu coração (cf. Lc 2, 19). Peçamos-Lhe ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com a força suave do amor.

Deus abençoe a todos os Comunicadores, para que usemos os meios e ferramentas de forma criativa na construção daquilo que dignifica a humanidade. (Por: Marcos de Aquino)

A amizade e a oração além de nossas limitações!

Temos segurança em confidenciar nossas dores e alegrias com a amizade sincera.

Há contextos na vida com os quais, no primeiro momento, já não sabemos exatamente o que fazer, embora em nossos dias disponhamos de ferramentas, meios, caminhos alternativos, além daquela onda de autoajuda acessível e sedutora que nos cerca. Há pessoas com respostas prontas, com forças extraordinárias, com atitudes imediatas e nos perguntamos até se determinadas situações não as atingem.

Muitos de nós temos até vergonha de sentir tristeza, dor, medo, tédio e solidão. Não somos livres nem mesmo para viver o momento que a alma e o coração necessitam. Choramos escondidos e temos o dever de mostrar que está tudo bem conosco, mas a gente sabe que muitas vezes as coisas andam bem difíceis na vida e viver determinadas cruzes não significa que somos fracassados ou  pessoas com espírito fraco.

Outro dia perguntei a uma amiga que mora distante de Fortaleza se estava tudo bem com ela, no que me respondeu: “Amigo, não está tudo bem, mas tem muita coisa bem!”. Considerei a resposta dela verdadeira, transparente, madura e honesta. Sabemos que não é qualquer pessoa que deve saber da nossa vida e para essa basta um “estou bem”, mas, a quem se quer bem e confia vale a liberdade em mostrar com equilíbrio um pouco de nossas aflições. Escutei recente uma amiga falar de sua dor na reação a três, mãe, pai e filha. Concluiu com um pedido sincero:

“Amigo, confesso que eu não queria que fosse o fim do nosso relacionamento, pois desejei muito que desse certo! Mas, em nome da dignidade pessoal e da nossa felicidade eu preciso seguir minha vida. Espero que um dia ele reconheça a pessoa que perdeu e é bem provável que seja tarde demais! Ore por mim!”

Sabemos que, necessariamente, não andamos atrás de respostas prontas, mas apenas que alguém entenda e deseje ficar ao nosso lado com maturidade, presença, confiança e escuta. A gente ajuda alguém muitas vezes sem conseguir dizer uma única palavra. O amor, a amizade e a oração vão além de nossas limitações! Dizem as Escrituras Sagradas que “um coração alegre facilita a cura, um espírito abatido resseca os membros” (Pr 17,22). Que nossas estações  sejam um tempo de educação, não uma estação permanente, e que não tenhamos medo e esqueçamos que há amigo mais fiel que irmão” (Pr 18,24). Nele podemos confiar!

Por: Marcos de Aquino

A nossa impotência nos faz pensar na vida, nos nossos valores e escolhas

O Evangelho nos ajuda a compreender o sentido do que vivemos nestes dias de quarentena. O Espírito Santo é a grande diferença na vida de quem crê.

Os cristãos católicos sabem que as semanas de páscoa têm a conclusão na Solenidade de Pentecostes, antecedido pelo Domingo da Ascensão do Senhor (subida aos céus). Ou seja, trata-se dos cinquenta dias que Jesus permaneceu com os seus discípulos, ensinando e preparando-lhes para o grande momento da descida do Espírito Santo e a missão.  A partir de então a vida seguirá agora com eles, que não estarão sozinhos. A garantia absoluta é a pessoa do Espírito Santo a inspirar, orientar, corrigir, sustentar e fazê-los ousados no anúncio do Evangelho. Quem conhece os escritos do Novo Testamento sabe exatamente tudo o que sucedeu. Eles não tinham a exata noção do que lhes aconteceria e precisaram muito de fé, coragem e sabedoria para lerem os sinais!

Mesmo em dias de isolamento social, dias de quarentena, nos quais o Mistério Eucarístico é celebrado pelos meios de comunicação, os católicos mais assíduos à fé acompanham o desenrolar do ano litúrgico, o que acontece em Roma, as ações que provêm do Papa e, claro, as leituras dominicais, sobretudo, as que norteiam a vida e a fé. Uma das coisas que tem me feito pensar com o que vivemos é na certeza de que alguma interiorização acontece com uma grande parte, inclusive com pessoas que estavam distantes e até frias na fé. O medo, as notícias e a ansiedade nos levaram a rezar mais, a pedir a Deus que nos proteja, assim como àqueles que amamos. Um novo tempo virá na vida de cada um. Li recentemente um artigo que falava exatamente isso:

“A nossa impotência nos faz pensar na vida, nos nossos valores e escolhas. Certamente isto nos trará grandes lições. Não seremos os mesmos!”  

Os efeitos da Quarentena

Vivemos o Domingo (e a semana) que antecede a Ascensão do Senhor, e sua liturgia fala exatamente da ação do Espírito Santo através de Felipe, Pedro, Paulo e Jesus, que no Evangelho diz aos discípulos que o “mundo não é capaz de receber o Espírito da Verdade, porque ele não vê e nem conhece” (cf. Jo 14,15-21). Ver e conhecer no aspecto da fé não é o mesmo no aspecto da Ciência. Do lado de quem crê entra nossas disposições interiores e exteriores, sentimentos e sentidos, e a ação do Espírito Santo, a grande diferença. Nestes dias tenho visto pessoas que se dizem de fé sem ver e sem conhecer o Espírito Santo. A crise sanitária, financeira e até humana tiraram o mínimo que tinham, a capacidade de ler os sinais para a sua própria vida. E tenho visto outras pessoas “menos religiosas” mais serenas, mais esperançosas e mais crentes na certeza de que não estamos sozinhos. “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós!”

Por: Marcos de Aquino, 16/05/2020.

O sentido de vida é o que nos norteia diante de qualquer contexto de privação e dor

A experiência de Viktor Frankl nos ensina que é possível superar as fissuras da história e recomeçar com amor e esperança.

O médico e psiquiatra, Viktor Frankl (1905-1995, Áustria), é o fundador da Logoterapia e Análise Existencial, ou seja, a ciência especializada no sentido da vida humana. O médico sobreviveu aos campos de concentração nazistas, mesmo tendo perdido tudo o que era seu, pois, exceto a irmã, toda a sua família judia morreu em campos de concentração ou nos crematórios. Dr. Frankl esperou a morte em cada jornada, pois eram grandes os seus sofrimentos, tais como a fome, o frio a brutalidade dos nazistas praticamente diárias. E a gente se pergunta como ele conseguiu superar, suportar, esperar e acreditar que valia a pena perseverar.

O prisioneiro nº 119.104, como era identificado, passado quase três anos dentro daquela horrível experiência, e já com o histórico de conviver com os doentes mentais – o que parte de sua missão como psiquiatra, encontrou razões mínimas dentro de si para desejar permanecer vivo e, além do mais, incentivar, motivar e ajudar a muitos dos seus companheiros prisioneiros para que não se entregassem. Aquela condição de sofrimento e humilhação não eram maiores que a dignidade humana, por mais que eu ela estivesse destroçada. Ele descreveu após a prisão que “o que mais doía não eram os castigos físicos, mas a dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão. A insensibilidade em tratar a pessoa humana causa dores incomparáveis!”

O ponto crucial observado por Viktor Frank foi o vazio existencial, o distanciamento em definitivo das razões mais profundas que nos sustentam diante de toda perda e tragédia. Daí vieram as certezas absolutas de que o sentido de vida é o que nos norteia diante de qualquer contexto, por mais doloroso que seja. “Quem não consegue mais acreditar no futuro – seu futuro – está perdido no campo de concentração”, pensava naquela ocasião. E confirmou em toda a sua vida que quando perdemos o sentido e as razões pelas quais devemos continuar, então já vivenciamos uma morte antecipada. Uma pergunta fundamental deve ser feita para nós mesmos: qual é o sentido da minha vida? Onde estão, afinal, os meus olhos e o meu coração?

Há muitos sofrimentos, perdas e lágrima em nossos dias, seja pela pandemia do coronavírus, da violência, da criminalidade ou mesmo de uma vida privada do básico para se sustentar. Vemos muitas vidas que, embora tenham quase tudo, parecem viver em campos de concentração. As razões da felicidade de muitos parecem estar unicamente naquelas realidades passageiras, e não na sensibilidade com a vida humana nossa e do outro. Sim, “tudo concorre para o bem do que amam a Deus”, por isso é preciso acreditar no futuro, no nosso futuro, mesmo que ele necessite nascer das cinzas. É preciso dar sentido e significado ao ontem! Não desista de si e nem de quem mais precisa de você. Mantenha-se vivo, sempre a começar dentro de si! 

Por: Marcos de Aquino, 13/05/2020.

Mãe, símbolo do amor ao limite!

Celebramos em 10 de maio, 2º Domingo, o Dia das Mães. Renovamos o amor, a gratidão e nossas orações. Parabéns!

Nossa memória e gratidão neste dia são dedicadas, de forma especial, a todas as mães, nossas mães, sejam elas as biológicas ou as que dedicaram a nós o tempo, cuidado, o amor e todas as correções e bênçãos na história de nossas vidas. Talvez essa pessoa inesquecível não esteja viva, e sim, já gozando da vida eterna, mas a memória e a gratidão por elas boa acompanharão sempre. Temos para com a mãe uma dívida de amor eterna!

Conheço muitas histórias de relações entre mãe e filho, umas alegres e outras infelizes. Sei das sombras da história que podem ter nos machucado, como por exemplo, o abandono, a separação conjugal, o desamor, as injustiças e ausência quando mais precisamos. Que saibamos superar nossas cruzes, perdoar e nos tornar pessoas livres e felizes. A mãe tem uma história de vida com suas razões e intenções, alegrias e lágrimas, mas sempre desejou a nossa felicidade, mesmo que tenha feito isso tantas vezes de forma errada.

A querida mãe que temos (ou tivemos), com suas perfeições e imperfeições, faz parte da construção de nossa personalidade. Através dela, sem dúvida, Deus cuidou, formou e amou a cada um de nós de maneira muito concreta. Há uma verdade que me acompanha: “Quando o filho nasce a mãe começa a morrer!“. Ou seja, seu altruísmo ao cuidar do filho é marca indelével em sua vida. Maria, mãe de todas as mães, exemplo de filha, esposa, mãe e discípula, sobretudo na hora mais dolorosa de sua história, escolheu o que é próprio de sua vocação materna, o amor ao limite! Parabéns!

Feliz Dia das Mães! Que a Mãe da ternura interceda!

Quem é dono da verdade, não é dono de ninguém

Nossa visão de mundo pode ser confirmada e, inclusive, sofrer mudanças.

Cada um de nós tem a sua forma de perceber os fatos, as pessoas e o contexto por um todo. Faz tempo que os filósofos chamaram isso de cosmovisão, ou seja, a visão de mundo que tenho a partir do meu ângulo, minha história e minha condição atual. Quem está sofrendo ou feliz, pobre ou rico, saciado ou desempregado, casando ou separando, na escuridão da ignorância ou na luz do conhecimento, todos emitimos o juízo a partir de nossas causas. Por isso também tem sido a filosofia, desde cedo, a afirmar irredutivelmente que a verdade tem muitas facetas. Lembro uma canção: “(… ) quem é dono da verdade, não é dono de ninguém” (Capital Inicial).

Estamos convivendo com a “ditadura da verdade pessoal” em nome da liberdade de expressão. Nunca falamos tanto de democracia e tolerância, escuta e diálogo, mas tudo isso vira areia em nossas mãos quando confronta a nossa opinião e liberdade. Seja no mundo pessoal, profissional ou social estamos completamente destreinados para conviver com quem pensa diferente, quem crê e age conforme “sua verdade”. E claro, sem a bandeira do relativismo, a fé cristã também fala de uma Verdade, inclusive sobre a pessoa humana: a origem da vida, o desejo de Deus, o conceito de família, a morte e vida eterna. Estas são verdades para nós, professadas, ensinadas e defendidas, mas devem ser exercidas com a certeza de que a “semente do Verbo” está para além de nosso plantio, e não apenas nele.

Quando nos colocamos como “donos da verdade” atrapalhamos a fé, as relações, os projetos pessoais, a sociabilidade e as diferenças. Basta dar uma olhada nos debates da mídia, nas discussões presenciais, nos confrontos ideológicos e nas disparidades profissionais e familiares. Em nome de nossas verdades “amamos e matamos” como se isso fosse a mesma coisa. “Há muito pouco tempo aprendi a aceitar (…)”, diz o início da frase citada, ou seja, aceitar o que o outro chama de verdade é um aprendizado necessário e a primeira condição do diálogo, o que não quer dizer que seja a minha visão de mundo e do fato em si. Como isso é difícil! Que o digam as discussões políticas atuais no Brasil! Sabedoria é acreditar, de uma vez por todas, que é preciso aprender com as “verdades do outro”. São elas que me ajudam a analisar, pensar, confirmar e, inclusive, reformular as minhas verdades.

Vocação cristã] buscar a rota certa e se manter nela, apesar dos desvios

No 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, celebrado pela Igreja neste dia, 3 de maio, pus-me a reler novamente a Mensagem do Papa Francisco para a ocasião, publicada em 8 de março de 2020. Profunda e emocionante a descrição que faz das quatro palavras – Gratidão, Coragem, Fadiga e Louvor – que dirigiu aos Sacerdotes (Carta aos Presbíteros, de 4 de agosto de 2019, no 160º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars), quando lhes falou do itinerário da vocação de ser padre, pastor de um povo, homem escolhido dentre os homens para se dedicar exclusivamente à vida pastoral, mas com suas dores e alegrias.
Desta vez o Pontífice dedicou o mesmo itinerário a todas as vocações: sacerdócio, o matrimônio, a vida religiosas e ao leigo. Todos nós nos encaixamos ali de alguma forma. A experiência do barco, relatado pelo evangelista Mateus, do que acontece entre Jesus e a Pedro durante uma noite de tempestade no lago de Tiberíades (cf. Mt 14, 22-33), diz respeito à vida de cada batizado e de cada chamado específico. Sim, buscamos encontrar a rota certa e se manter nela, ainda que nos desviemos muitas vezes da direção do porto seguro.
Em toda a vida, estejamos onde for e façamos o que for, precisamos do timoneiro, do homem do leme, de Jesus Cristo, o Porto Seguro, de forma que nos ajude a superar nossas ilusões, voltar para a direção correta e nos deixar guiar pelo farol luminoso da sua graça. Minhas orações aos meus amigos leigos, casados, padres, religiosos e consagrados. Deus os abençoe na vocação!

O aprendizado que vem da quarentena e do mundo virtual

A quarentena e o mundo virtual têm nos proporcionados lições acerca do valor do próximo.

Uma jovem sozinha olha o seu celular
O artigo do Pe. Federico Lombardi, ex-porta-voz do Vaticano, ajudou-me a pensar em muitas coisas, sentir e constatar outras. Todos cremos que após esse período de quarentena o mundo e as pessoas estarão melhor, e que essa mudança deve começar por nós. É verdade que fomos engolidos pela onda avassaladora da tecnologia e das mídias digitais com suas formas diversas de comunicação virtual e com isso também houve decréscimo, perdas, certa quarentena antecipada de nossa maneira própria de viver e sentir o outro. Não se nega o quanto nos escondemos no nosso smartfhone, fones de ouvido, bate papos virtuais e nas curiosidades digitais. Nem percebíamos, tantas vezes, as pessoas próximas a nós, seus olhares e sorrisos. O amigo virtual, as curtidas, os seguidores passaram a ter mais relevância na vida.
“Muitos de nós nestes meses provaram com surpresa positiva as possibilidades oferecidas pela comunicação digital e esperamos que sejam uma riqueza também para o futuro, mas com a prolongação dos isolamentos entendemos que não bastam”, diz Pe. Lombardi. Não há como desfrutar da riqueza da vida do outro apenas com isolamento e o mundo virtual. Todos temos desejo e esperança de que isso passe logo e aquele calor humano, o olhar, o sorriso, o carinho do abraço e do beijo, tão próprios da condição humana, estejam de volta. Eu desejo que muitos valores sejam resgatados com essa privação hoje de não poder cumprimentar e sentir o outro no aconchego de nossos braços.
Daqui pra frente que a gente possa se “livrar de outros vírus do corpo e da alma que
nos impedem ver e encontrar o tesouro que está na alma do outro”. Mesmo em quarentena o novo tempo já chegou porque já temos muitos aprendizados, perceba isso dentro de você!
 

Castas de "santos e puros" exigem da Igreja a celebração dos sacramentos

Grupos na Igreja reivindicam a abertura dos templos religiosos católicos, consideram-se merecedores, mas autoridades eclesiais reagem com bom senso e prudência.

Padre em banco da Igreja confessa fiel em tempos de coronavirus

Desde quando começou a quarentena, que visa combater o contágio do Coronavírus, e as Igrejas do mundo inteiro foram fechadas fiquei a observar o comportamento e a reação de algumas pessoas quanto à impossibilidade de viverem os sacramentos, sobretudo a comunhão eucarística. Passei a ver as notícias, os pronunciamentos de alguns grupos de fieis, a postura de alguns fundamentalistas e de algumas “castas privilegiadas” no ceio da Igreja. Vi que o pensamento não era diferente do que encontramos na política. “Deixa os velhos e doentes em casa e abram a Igreja para nós! Precisamos da eucaristia, por favor!”

Fiquei desconcertado exatamente pela ignorância em muitos com a falta do bom senso diante do que nos acontece na saúde e com a pobreza espiritual em entender o que é o “Corpo Místico de Cristo”, a Igreja, e o que é na vida a comunhão eucarística, privados ou não. De fato, uma grande parte parece esvaziar o sentido da comunhão eclesial e sacramental, vivendo como castas que se acham santas, limpas, puras, merecidas, algo como existia no tempo de Jesus. Forte a definição de Dom José Carlos de Souza, bispo de Divinópolis (MG), quando chama de “eugenia espiritual”.

O seu artigo se encaixou exatamente com aquilo que penso. Convido você a lê-lo! Leiam também a notícia do dia de grupos que reivindica a Santa Missa, depois de apontarem o relaxamento do comércio, sem a orientação das autoridades competentes!


ARTIGO DE DOM JOSÉ CARLOS DE SOUZA CAMPOS

CONSIDERAÇÕES DA CNBB SOBRE O ARTIGO
GRUPOS CATÓLICOS PEDEM VOLTA DAS MISSAS


 

A maturidade não vem de livros e cursos, mas do ressignificado das experiências

A família e a nossa história, com dores e alegrias, não são sentença de infelicidade. Tudo dependerá da nossa capacidade de dar um novo significado às nossas experiências.

Uma mulher sentada de cabeça baixa

Muitos levam um bom tempo para aprenderem o básico e o fundamental da vida. Diante de algumas atitudes alguns afirmam  – e até acusam – que é culpa da má formação familiar e não da escola, pois é no ambiente do lar que desenvolvemos as melhores qualidades a serem exigidas pela vida. Claro que é uma afirmação carregada de verdade e sentido, mas não absoluta, não esgotada, não completa. É fácil falarmos da tradicional família que tivemos, do ambiente em que fomos compilados e moldados, mesmo com suas dores.

Outra história são os contextos de família e vida pessoal que vemos ao nosso redor e com os quais convivemos. Tive contato com muitas famílias até aqui, sobretudo durante “os anos de vida missionária” e vivi de perto as crises mais diversas, sejam elas sobre relação, álcool, infidelidade, drogas, pobreza, violência, desamor, ódio, abandono, perdas e infelicidades profundas. Os frutos desses ambientes e contextos estão propícios a serem conflituosos na vida pessoal e em outras dimensões na vida. Porém, tudo dependerá, como diz a espiritualidade do “fio de ouro” – aquela que aponta para o rio da história em movimento, da forma como processaremos as maiores dores pessoais e familiares de nossa história, podendo ela ter seu equilíbrio, conquistas e felicidade.

O teólogo Paul Stevens, em uma de suas obras, tem um capítulo intitulado: “Deus em relações difíceis!” Essas relações de que fala podem ser na família, no namoro e no casamento. Diz ele: “A maturidade não é algo que possa ser obtido com livros, bons cursos ou uma experiência de religião bem orientada. Ela vem somente através das experiências longas e difíceis da vida, e que, se trabalhadas e direcionadas para Deus, tornam-se cruciais para a nossa maturidade e vida de fé equilibrada!” Creio que você também deve concordar com o teólogo.
As experiências, boas e ruins, e seus ressignificados podem vir a ser liberdade para a nossa vida, independente de suas catástrofes familiares e pessoais. Enfim, quero apenas pedir que procuremos entender cada contexto, sobretudo o nosso, sem julgar, e creiamos que todos podem ter uma nova vida. Não há uma sentença de infelicidade para quem viveu algozes em sua história. “Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz. Não seria ele o Cristo? Eles saíram da cidade e foram ao seu encontro.” (Jo 4,29-30).