A necessária dúvida com os protótipos de felicidade em nossos dias

Os novos tempos sombrios apresentam modelos de felicidade que nos distanciam da nossa essência, por isso a necessidade de pensar e duvidar sobre a vida é latente!

Nossa geração não viveu os tempos sombrios daqueles que nos precederam. Identificamos no mais próximo momento da história os horrores dos Campos de Concentração (destaque para Polônia, a partir de 1933) e a Ditadura Militar no Brasil (1964). Os anos de democracia e liberdade deram espaço para todas as formas de vida e liberdades de expressão. Tudo isso é bom, mas também, inevitavelmente traz consigo as ideologias, os “partidos” e as formas de pensar, crer e viver e que vão na contra mão do bem comum, do ético e do justo. Mas é preciso lembrar que os nossos parâmetros de verdade podem não ser os mesmos para outras pessoas. Sempre estaremos diante do desafio de discernir o justo interesse coletivo, a preservação da dignidade pessoal e a essência de cada um, seja negro ou branco, ateu ou crente, pobre ou rico, leigo ou letrado.

Nossos parâmetros de verdade podem não ser os mesmos para outras pessoas. Sempre estaremos diante do desafio de discernir o justo interesse coletivo, a preservação da dignidade pessoal e a essência de cada um, seja negro ou branco, ateu ou crente, pobre ou rico, leigo ou letrado.

Diante do que vivemos neste início de Séc. XXI, outra vez somos levados pelo parâmetro da “dúvida”. Para o pai da filosofia moderna, René Descartes (nascido em 1596), a dúvida foi o “motor principal” e o método para a arte do homem, a arte do conhecimento de si próprio e a capacidade de duvidar e de pensar. Utilizo-me da arte de duvidar para falar não do homem em si, mas de tudo que o circunda, das promessas de felicidade que se embaraçam com muitas formas de egoísmos, violência e destruição. Não bastasse o mundo ser freado por uma pandemia e constatarmos que o universo da tecnologia, da riqueza e do poder não podem fazer o homem satisfeito em sua busca de felicidade, temos ainda os horrores que nos desumanizam. E assim queremos ainda mais o rosto do artífice da felicidade para não nos conformarmos com os seus protótipos. A dúvida para com as promessas de felicidade hoje nunca foram tão latentes, porque diz respeito à nossa essência.

Queremos ainda mais o rosto do artífice da felicidade para não nos conformarmos com os seus protótipos. A dúvida para com as promessas de felicidade de hoje nunca foram tão latentes, porque diz respeito à nossa essência.

Juntemos os tempos sombrios de outrora, provocados por ideologias e propostas de felicidade, com tudo o que nos é apresentado por este mundo de fascinantes descobertas e conquistas, mas de grande pobreza humana com dores existenciais ignoradas e que parecem nos envergonhar diante de tudo o vemos e vivemos diariamente. Os racismos, os ataques ideológicos, os interesses econômicos de nações, o desgoverno, a omissão dos órgãos públicos com as injustiças, a banalização da vida pela predominância do dinheiro, o ódio político e os diversos tipos de divisão em nossa sociedade e a indiferença com a pobreza, vemos que “nem o sol, nem Deus e nem o homem é mais o centro do universo, mas o dinheiro!” Estes são também tempos sombrios, ainda que mais velados. Não podemos deixar de duvidar dessa caricatura de vida social que vemos e que tenta nos enquadrar. Ainda temos o farol do justo interesse coletivo, da dignidade humana e da essência de cada pessoa.

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