Jamais desistir da amizade com Deus

Incrível o diálogo de Deus com Adão e Eva acerca do fato dele ter se escondido, e o fez porque estava com medo, assim justificou. O medo veio com a consciência de que estava nu e que agora existiam as concupiscências. O desenrolar de como ele comeu a maçã nós já sabemos. No entanto, a pergunta “E quem disse que estavas nu?” é desconcertante. Deus não acusa, mas pergunta, faz o homem se questionar acerca de suas própria escolhas. Ele vai ter que dar uma resposta à situação, não Deus, não os outros. 
O pecado, ao entrar no mundo, continua a fazer o seu prejuízo, mas o homem tem a liberdade e a capacidade de escolher outra coisa, embora isso não seja fácil. Encontrar culpados, justificar que sua vida foi assim e assado e que as circunstâncias o induziram não é suficientemente convincente. Não somos máquinas, mas pessoas. Temos a opção da dignidade de filhos de Deus ou da escravidão, do vazio, da falta de sentido, da vida que envergonha até a nossa consciência. 
 Eis que somos impactados por uma outra verdade: “Não desanimemos!” É isso que o apóstolo Paulo diz a todas as pessoas. Mesmo que caiamos, mesmo que vejamos as partes corrompidas em nós pelo pecado, não deixemos de olhar e buscar o invisível, que nunca passa. A Igreja não separa os que têm muito e os que têm poucos pecados, essa missão não é dela. Ela é Mãe, não juíza. O que se deseja é o caminhar, a continuidade da vida cristã, a luta interior, a construção diária de uma dignidade compatível da vida de batizados. Caindo e se levantando, essa é a vida do cristão. Não desanimemos com o pecado, mas confiemos no amor e na graça de Deus. 
 Jesus fala que “Satanás não pode expulsar Satanás”. A desintegração interior não pode nos fazer pessoas inteiras. A sujeira nossa não nos limpa. Tudo na vida exige estratégia, por isso esse processo de conversão interior vem de Deus, que se utiliza de muitas situações na vida. Negar essa ação, tendo consciência dela, pode nos custar muito. Se não somos humildes o suficiente para deixar Deus nos formar viveremos colocando a culpa nos fatos, nas pessoas, nos erros, nas nossas próprias mazelas. 
Existe algo que Deus prioriza na nossa vida: a sua vontade! Isso não é um código de ética e moral, faça isso ou aquilo, esteja ligado a esta ou aquela pessoa, seja famosa ou uma pessoa simples, mas aquela ligação com a nossa própria consciência cristã: minha felicidade consiste em jamais desistir da amizade com Deus.
Antonio Marcos
Leituras do 10º Domingo do TC: 
Gn 3,9-15 / Sl 32 / 2Cor 4,13-18-5,1 / Mc 3,20-35.

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