Faz-se um momento de silêncio…

“Terminado o canto, fecha-se o tabernáculo e faz-se um momento de silêncio.” (…) E a exemplo de Maria, silencio o coração e deito sobre aquele madeiro, coração a coração, sintonia de amor e dor. Uma noite de horror enquanto os homens festejam… Faz-se silêncio. Há frio lá fora, os amigos evadiram, a cidade está em festa, o nosso Senhor não dorme, está nas mãos dos homens. O Filho de Deus que desceu dos céus, que só amou, agora é verme nas mãos de carrascos. Sou eu, és tu, somos nós naqueles homens. Faz-se um momento de silêncio… A noite parece interminável e tudo é apenas o início dos horrores… Meu Deus, meu Deus, que amor é este? Meu Jesus, ajude-me a viver esta hora contigo, dê-me a graça do silêncio, da oração, das lágrimas, do arrependimento… Dê-me, sobretudo, o dom da fé, pois todos esses mistérios de dor estão dentro de um propósito de amor: “Ninguém me tira a vida, eu a dou livremente” (Jo 1018). Fecha-se o tabernáculo do coração, faz-se um momento de silêncio…

Antonio Marcos

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