A Páscoa e as nossas relações fraternas

Estamos em dias especiais na vida da Igreja, Tríduo Pascal e Páscoa do Senhor. Dias, como costumo dizer, “conflituosos”, porque confrontam nossa mesquinha forma de amar, provam a fé, purificam o amor, e tudo porque o centro é o mistério da oferta da vida de Jesus pela nossa Salvação. Oferta livre, feliz, mas que por isso teve seu preço, sua dor, sua cruz, cruz sangrenta, cruz de escárnios e acusações, abandono por parte dos amigos… Cruz de diálogos misteriosos com o Pai: “Por que me abandonaste?”; Ao mesmo tempo, diálogo de entrega confiante em Suas mãos, jamais entrega ao desespero: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!”.

Todos nós viveremos tais mistérios de acordo como estamos, como temos nos preparado, com nossas dores, alegrias e esperanças. Porém, que tudo seja vivido com fé. Nossa vida é uma peregrinação rumo à morada definitiva e a Páscoa de Jesus vivida de modo único e definitivo em Jerusalém, é hoje atualizada pelo Espírito Santo através da vida da Igreja, de sua Liturgia. Ao mesmo tempo, esta é uma ocasião para nos fazermos intercessores como nunca pela paz e conversão do mundo. Os “dias de barbáries” que vivemos não têm a última palavra, pois Jesus é vencedor da morte. Caminhamos para contemplarmos um “novo céu e uma nova terra” e cremos que esta realidade se inicia dentro de nós quando a Páscoa de Jesus é força transformadora de nosso pensar e de nossas ações, apesar de nossa condição frágil. Estes dias devem provocar em nós uma profunda reflexão sobre nossas relações conosco, com os nossos parentes, com os amigos e com todos aqueles que participam de nossa vida de alguma forma. Infelizmente a “páscoa de cada dia” muitas vezes é transformada somente em calvários, em traições, em julgamentos… Nossos sonhos, desejos, nossas perdas, nossas expectativas frustradas, nossas injustiças praticadas ou sofridas…, tudo pode tornar a nossa vida pesada demais.

Impressiona-me – olhando pra mim mesmo – quando percebo que também na cotidianidade de nossas relações acontecem exatamente as estações da Páscoa: aplaudimos aquele a quem logo podemos condená-lo; sentamos à mesa com quem “amamos”, mas saímos para vendê-lo, caso seu projeto não coincida com o nosso; entregamos a Pilatos os outros, lavamos com ele as mãos, não temos “mais parte”, ou nunca tivemos, enfim, são também mistérios do “sábado de silêncio”, não de meditação, mas de indiferença. Daí a conclusão é certa: não há ressurreição nas nossas relações, pois permanecemos numa eterna sexta-feira santa de acusações e ressentimentos. Portanto, tentamos apalpar a páscoa da unidade, da reconciliação, da fraternidade, mas não conseguimos.

Eu sei, eu sei bem como preciso meditar em tudo isto, como preciso fazer destas palavras uma oração de súplica e de permissão para que Deus desça em minhas trevas e me arranque de minhas mortes. Desejo o mesmo processo em sua vida, caro leitor e leitora. Eu desejo que estes dias sejam de abundantes graças de conversão e santificação para todos os amigos e amigas deste espaço de fé, o Blog Antonio Marcos. Que sejam dias de graça para mim e para ti. Desejo um santo Tríduo Pascal e uma Santa Páscoa do Senhor, nossa Páscoa, nossa felicidade. Assim seja!

Antonio Marcos

Um comentário em “A Páscoa e as nossas relações fraternas

  1. Belíssimo Texto amigo! Verdadeiramente, quantas vezes \”aplaudimos aquele a quem logo podemos condená-lo; sentamos à mesa com quem \”amamos\”, mas saímos para vendê-lo, caso seu projeto não coincida com o nosso; entregamos a Pilatos os outros, lavamos com ele as mãos, não temos \”mais parte\”, ou nunca tivemos.\” Desejo uma feliz Páscoa para ti!

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