Eu aprendi


Se Shakespeare atreveu-se, atrever-me-ei, também. Que insolência! Lá vou eu. Depois de algum tempo eu aprendi que nossos melhores amigos somos nós mesmos e que é imprescindível que zelemo-nos incessantemente como uma joia rara.
Eu aprendi que quando a gente se gosta os outros reparam e respeitam. Aprendi que a vida é feita de perdas e ganhos. Tolice desesperar-se com aquelas, bem como regozijar-se com esses. Eu aprendi que os obstáculos sucumbem à serenidade. Aprendi com o poeta que devemos procurar ser felizes com o que temos, sob pena de emitirmos atestado de loucura. Aprendi que dinheiro e amizade não se unem nunca, são como o óleo e a água. Aprendi que o sucesso de nossos atos depende da leitura que fazemos dos fatos.
Aprendi, também, que amigos são de extrema importância, mas que são poucos. Contam-se nos dedos de uma mão na caminhada. Aprendi que, por assim pensar, não é ruim para a alma, ao contrário, fortalece e a torna mais consistente e vigorosa. Aprendi que devemos fazer esforço hercúleo na busca da justiça em nossas relações com o semelhante. Aprendi, ainda, que é necessária esta compreensão aclarada nas nossas vidas para que nos relacionemos bem com todos. A lucidez leva à imperturbabilidade do espírito.
Por fim, aprendi que, a todo instante, estamos aprendendo sempre, em quaisquer que sejam os mínimos detalhes da existência.
Autor: Francisco Martonio da Ponte Viana – Engenheiro agrônomo
Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Jornal do Leitor), Fortaleza, 05 de fevereiro de 2011. 

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