Testemunhar com a vida o que os lábios professam!


A Igreja celebra na “Oitava do Natal” a festa do martírio dos Santos Inocentes. Conforme está narrado no Evangelho de São Mateus 2, 13-18, trata-se das crianças do sexo masculino, com idade até dois anos, mortas pelos soldados romanos a mando do tirano governador Herodes, em Belém (Judéia). 
Esta covarde e cruel atitude deveu-se ao fato de Herodes ter se sentido traído pelos Magos que foram ver o Menino e voltaram por outro caminho, não lhe indicando o lugar, pois o mesmo tinha intenção de destruir o Menino e não de adorá-Lo. Inocentes e já mártires porque, além de indefesas, foram mortas por causa de Jesus, o Pequeno Menino-Deus, que com o seu nascimento pôs toda a corte herodiana em desespero. “Clama, louco, ao ouvir a mensagem: Eis às portas o meu sucessor que me expulsa! Depressa, soldados, cobre os berços de sangue e de dor” (LH, Hino das Laudes). Para não ter o poder desafiado estava disposto a matar o Messias custasse qualquer coisa. Parece que a história se repete aos nossos tempos.
O “Canto do Akathistos” (rezado durante os dias do Advento) já faz menção à dureza do coração de “Herodes, o estulto, incapaz de cantar: aleluia!”. Meditando sobre este acontecimento logo se percebe que é atual o medo que tem os poderosos dos  pequeninos. Não somente os pobres incomodam, mas, especialmente, os indefesos nascituros, os que desejam simplesmente nascer. Vemos dolorosamente a morte dos inocentes se repetir nos laboratórios de manipulação irresponsável da vida e nas clínicas abortistas. Não se nega que a morte dos inocentes se repete através dos que são deixados à margem da sociedade e do progresso, dos que são vítimas da violência infantil, da pedofilia e da prostituição. Também a morte dos inocentes se prolonga quando nossas crianças ou mesmo adultos são vítimas do preconceito pela intolerância religiosa, de credo cor e raça.
O martírio pelas palavras e atos é uma necessidade nos dias hodiernos.  Não podemos achar normal o fato de nossos jovens serem violentados na consciência moral e na fé, simplesmente porque querem manifestar os valores cristãos e viverem conforme a mentalidade do Evangelho., por mais desafiante que seja. Hoje, nós que cremos em Jesus e vivemos na fé da Igreja, precisamos pedir com fé e coragem: “Dai-nos também, Senhor, testemunhar com a nossa vida o que os nossos lábios professam” (Oração Laudes). Não repitamos a loucura de Herodes, embora vejamo-la em tantas atitudes que nos cercam ou nos atingem. O choro nos corredores de Belém pode ser o nosso se nos omitimos na defesa da vida inocente. Deus nos conceda a graça e a têmpera dos mártires. Que as palavras se transformem em vida!
Santos inocentes, intercedam por nós!
Antonio Marcos

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