Ocasião propícia para testemunhar a fé

A Liturgia da Palavra deste 33º Domingo do Tempo Comum traz uma mensagem muito atual no que diz respeito aos acontecimentos que tendem a confundir e desencorajar os que creem. O Evangelista Lucas (21,5-19, Discurso Escatológico) mostra claramente Jesus ajudando os discípulos a viverem não simplesmente encantados com o exterior, com os ornamentos, diríamos, com os Ritos, com a Liturgia, com a Igreja física, mas, sobretudo, viverem conscientes de que a fé é provada, perseguida, testada e, tantas vezes, encurralada em guetos aparentemente sem saída.
Em dias como os nossos, talvez, os “pregadores diversos e com seus discursos milenaristas, aterrorizadores, impondo uma teologia do medo do inferno, não seja, ao meu modo de ver, a maior preocupação, mas exatamente os acontecimentos contraditórios na humanidade e nas nossas vidas parecem abalar as estruturas do Ser no seu mais profundo dinamismo. Não nos falta ao lado quem vive a lamentar de tudo e de todos, sempre na sombra da justificativa de que as coisas estão cada vez piores, que não há mais jeito e que não vale a pena sustentar convicções que nos deixam isolados da grande maioria. O estado de ânimo inibido e em aprisionamento é a maior tragédia para quem tem fé. Cair no conformismo seria o grande fim, visto que nem mesmo teríamos a “oportunidade” dos discípulos em sermos levados aos tribunais modernos que julgam a incompatibilidade de nossas ações, sobretudo, de nossas convicções, mas que é a ocasião propícia para testemunhar a fé.
Entendo esses tribunais que nos julgam não os institucionais, simplesmente, mas os que exercem poderosamente seus juízos na nossa consciência quando somos difamados e injustiçados, na nossa fé quando caímos no pecado e nos fracassos, na nossa esperança quando os acontecimentos históricos e pessoais parecem nos confundir da direção certa, no coração quando precisamos reacreditar nos nossos sonhos, na própria força do amor quando se é preciso perdoar, inocentar os réus dentro de nós, ajudá-los a não serem mais esteios para o mal.
“Não fiqueis apavorados, diz Jesus! O pavor afeta o estado de ânimo e pode aniquilar a nossa fé. Existe muito mais graça no mundo do que a desgraça. Como costumamos dizer: notícia boa não se vende! Notícia boa se anuncia gratuitamente, é o segredo do Evangelho, é a Boa Notícia do amor de Deus e da Salvação em Jesus Cristo. Não fiquemos apavorados, mas também que a timidez e a omissão não nos seduzam. Aproveitemos as ocasiões desfavoráveis para testemunharmos a fé que dá sentido à existência, que faz ver além das aparências físicas, que continua operante e transformante mesmo quando os rumores se tornam realidades dolorosas dentro e fora de nós. Concluo com o trecho de uma linda canção propícia para essa ocasião: “Nascerá novo amanhã, eu já posso ver, sei que posso crer que nascerá novo viver, Ele é fiel e Suas promessas cumprirá. Terminará o que começou, Ele fará um novo acontecer, fará mesmo que eu não possa compreender!”
Antonio Marcos

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