Nasceu no mundo um sol!

“Nasceu no mundo um sol! Com estas palavras, na Divina Comédia (Paraíso, canto XI), o sumo poeta italiano Dante Alighieri alude ao nascimento de Francisco, ocorrido entre o final de 1181 e o início de 1182, em Assis” (Bento XVI. Audiência Geral, 27/01/2010). De fato, o poeta dos “novíssimos” estava certo. A obscuridade na compreensão e vivência da fé era, naquela ocasião, causa de retrocesso. O Evangelho passava a ser vivido de forma caricaturada, acomodado às condições pessoais. Uma forma de vida mesquinha agia como um câncer na vida da Esposa de Cristo, a Igreja, por sua vez, tão amada por Nosso Senhor.

Via-se que o processo de conversão, a alegria da fé e do serviço aos irmãos e aos mais necessitados era corrompido. Tudo era o efeito de uma vida eclesial desviada de sua missão e do seu sentido fundamental. A configuração a Jesus Cristo e a falta de sobriedade de vida por parte dos ministros da Igreja, tornavam-se escândalo para o povo de Deus e brechas para a ação do mal. O crepúsculo da caridade na unidade e na fraternidade precisava do “nascimento de um novo sol”. A providência divina presenteou o mundo com a vida de Francisco, que, até a sua conversão na juventude, vivera as aspirações de realização comum no seu contexto de sociedade. Porém, com a visita da graça na sua vida, com a visita de Deus e o seu chamado cativante, fez de Francisco um apaixonado pelo Cristo pobre, vindo a doar-lhe a vida até às últimas consequências.

Entregar a Deus a vida, a juventude, a fama, os sonhos futuros, oprestígio com a família, nada disto custou tanto a Francisco do que a missão que Deus lhe confiara. Realmente Deus pediu muito daquele jovem, mas o amor é assim, quando conquista concede sempre os meios e a força para a resposta, o importante é a disponibilidade em se deixar alcançar pelo chamado de Deus. Francisco se tornou um novo sol para a Igreja e para a humanidade, ajudando-as a reconhecerem outra vez o rosto de Cristo. Porém, Francisco, sendo chamado por Deus, não age na prepotência de querer caminhar sem a Igreja, muito menos na presunção em querer ser alguém importante, reconhecido, elogiado etc. O escondimento e a humildade são sempre virtudes na vida dos santos, é a “fraqueza de Deus”!

Talvez seja o que mais precisamos hoje: redescobrir a alegria da conversão e do serviço a Cristo sem muito alarde, caminhando na unidade com a Igreja, vivendo na disponibilidade da missão como batizados ou como vocação específica, querendo agradar a Deus e não simplesmente aos outros, evangelizando e não anunciando a nós mesmos. Não interessa o que pensem de nós, o que especulem, nossa dívida é a do amor aos outros e, certamente, a consciência cristã de que somos chamados à santidade deve ser um farol absoluto. “Somos todos mendigos”, não por falsa piedade, mas porque Deus é o Sol que nos aquece e nos ilumina. Ele nos tira do monturo e nos dignifica no Seu amor, para então iluminarmos a vida dos outros, a vida do mundo. Nada disto é fácil, é graça de Deus que pede nossa colaboração. Queira Deus que sejamos, a exemplo de Francisco, ao menos um pouco desse sol na vida dos outros! São Francisco de Assis, rogai por nós!
Antonio Marcos

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