A diversidade de estilos numa tarde de sábado


Enquanto esperava o ônibus na tarde de ontem (sábado, 24 de setembro), dentro de um dos terminais de Fortaleza, tive a oportunidade de observar algo que me chamava a atenção. Trata-se da diversidade de estilos de vida desta nossa geração, especialmente entre os jovens e adolescentes. Depois dos anos 70, da liberação sexual que teve como símbolo o Festival de Woodstock, há tempo não se via algo tão aproximado e, sem dúvida, com alguns ingredientes culturais e ideológicos a mais.

Pois bem, o que então observei dessa diversidade de estilos? No meu ponto de ônibus estava a galera adolescente mais identificada com os EMOS. Sempre naquele jeito de se trajarem: a predominância da cor preta para as roupas, os cabelos pretos e rebelados sobre os olhos escuros, sombreados, as meias calças listradas com botas pretas ou o velho Al Star. Parece até que nada combina, e se abraçam, dividem os fones do MP4, óculos grandes e verdes, pulseiras coloridas, as grades servem como banco e todo mundo fala a mesma língua. Ah, alguns meninos pareciam tão meninas! Eu não julguei, apenas observei!

Já no ponto de ônibus ao nosso lado estava a galera do rock. Certamente eles estavam indo para outro lugar, um point ou para algum festival. Eram mais de dez jovens homens e poucas mulheres. Também a caráter: calça jeans ralada, tênis esportivo e a camisa preta com a sua banda preferida. Lembro ter visto nas camisetas as bandas: Pearl Jam e várias com a lenda do Rock inglês: Donzela de Ferro (Iron Maiden). As mulheres do Rock também andam no estilo, mas não perdem o jeito feminino de ser, geralmente são entendidas do assunto e namoram um roqueiro. Não são mulheres de um e de outro. Observei que eles fumavam, são mais interagidos, mais maduros e também escutam MP4, curtiam o rock e faziam os gestos com as mãos como se tocassem guitarra e balançavam a cabeleira.

Mas, essa diversidade não termina numa tarde de sábado. Na plataforma paralela estava um jovem pregador evangélico com bíblia na mão, calça social e camisa de botão, porém de chinelo, gritando a plenos pulmões: “Só Jesus Cristo Salva!” Alguns o olhavam cansado, suado e quase já sem voz, outros até riam. Os EMOS e a galera do Rock não se importavam e nem riam do pregador, apenas curtiam seus estilos. Percebi que eu também estava ali com o meu estilo de vida. Calça tactel, camisa da Mizuno, Boné e revista de atletismo na mão. Estava indo para o meu primeiro longão preparatório à maratona. Quando me dei conta do meu estilo logo o ônibus chegou e fomos todos para os nossos destinos, porém, não mais esqueci: quanta diversidade de estilos numa tarde de sábado!

Antonio Marcos

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