Tocaste-me o coração com tua palavra, e comecei a amar-te!


Estamos concluindo o mês das vocações e, providencialmente, a Igreja celebra Santo Agostinho no dia 28 de agosto. Eis um dos grandes testemunhos de conversão, fruto da ação de Deus, que é “fonte de toda misericórdia e que converte os homens pelos caminhos mais estranhos” (Confissões, 9ª Ed. Livro IV,4,7). Foi no seu “caminho estranho” que a verdade o procurava por toda parte (L. VIII,1,1). Deus se antecipa sempre porque Ele é o primeiro interessado na nossa felicidade. Ao nos criar, colocou em nós uma vocação e no tempo certo cuidará de despertá-la. Deus pede sempre aquilo que já nos concedeu. As inspirações de Deus têm origem na Sua própria graça e iniciativa. Tudo o que precisa é que o homem se deixe alcançar, conquistar, seduzir e amar. Ah, se te deixares amar pelo Senhor, também farás o maior de todos os elogios da literatura cristã: “Ó Beleza tão antiga e tão nova! (…) Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!” (cf. L. X,27,38).
Retorna sempre nesta feliz ocasião a reflexão sobre os desígnios de Deus quanto à vocação de uma pessoa. Desígnios esses misteriosos, mas concretos e felizes! Quando imaginamos a vida do jovem Agostinho com sua extraordinária capacidade intelectual, suas habilidades com o pensamento e com a oratória, ao mesmo tempo, suas vicissitudes e sombras nos aspectos morais, como ainda as experiências obscuras com as ideologias e filosofias religiosas, ficamos a nos admirar com a eleição divina. Ela vai ai onde estamos! Não dá pra fugir da voz de Deus, e Ele sabe que  a nossa liberdade deve ser sempre respeitada de forma incondicional. Mas Deus interpela e vai a procura quando marca uma pessoa para uma vocação específica. Os fatos, as circunstâncias, as pessoas, os relacionamentos, a oração, o cotidiano da vida, as dores e contradições, os planos e até mesmo o sucesso profissional e familiar, nada disto ofusca a voz de Deus quando ele chama! Isso acontece porque “a luz já se encontra no nosso interior” (L. VIII, 7,11).
E como se dá a resposta? Dá-se mediante a experiência com o amor de Deus. Só o amor explica a missão, a entrega, a oferta, o deixar tudo e a todos para seguir adiante. Ainda que pareça loucura aos olhos de todos, só o amor nos convence de que vale a pena. “Que exulte e prefira encontrar-te, não te compreendendo, a não te encontrar, compreendo” (L. I,6,10). Foi isso que aconteceu dentro do coração, da razão e da alma de Agostinho. Não tinha a presunção de compreender os desígnios de Deus pra sua vida, mas o que lhe importava era encontrar a vontade de Deus. Embora muito inteligente, soube se render diante do mistério da eleição. Amar a Deus para Agostinho era a verdade mais fundamental e o que lhe sustentaria até o fim. Belíssima e profunda a sua confissão: “Estou seguro, Senhor, de que te amo; disso não tenho dúvidas. Tocaste-me o coração com a tua palavra, e comecei a amar-te” (L. X, 6,8). Não tenha medo meu caríssimo jovem em responder ao chamado de Deus na sua vida. Se realmente provaste e te deixaste possuir pelo Seu amor, absolutamente, nada te impedirá de seguir o Senhor, pois, “inquieto estará sempre o teu coração, enquanto não repousares na vontade de Deus pra tua vida” (cf. L.I,1,1). Coragem!
Antonio Marcos

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