Dois tipos de aborto silencioso e cruel


Quem de nós não tem na própria casa, entre os familiares ou na família de pessoas queridas, ligadas a nós, a triste situação das drogas? Minha família conheceu de perto este drama e o sofrimento foi incalculável para nós. Nos meus anos de vida missionária escutei muitas mães com esta dilacerante dor e sofrimento quase que sem fim, pelos seus filhos e até esposos. São famílias machucadas, feridas e sem esperança com seus parentes queridos, destruídos ou definhando lentamente pelo vício das drogas, como também do alcoolismo.
Como pessoa humana e como cristão católico, sou totalmente contra o aborto e qualquer atentado contra a vida, porém, às vezes, fico meio confuso a me perguntar sobre a vista grossa que se faz por um número considerável de pessoas e pelos setores do governo municipal, estadual e federal. Por causa das campanhas políticas não existe outro assunto na mídia, nos blogs, nas páginas da net, se não o aborto; entendam, é necessário porque é a maneira de conscientizarmos as pessoas para que não elejamos políticos abortistas e assim não venham a se unirem para um genocídio silencioso em massa, com a aprovação de leis abortistas. Entretanto, percebo que quase ninguém fala do alcoolismo e das drogas, praticamente. A criminalidade, aumentada em parte pelas drogas e pelo álcool, faz escorrer sangue do televisor com os nossos noticiários. As famílias estão, de forma quase que generalizada, agonizando com o aumento do uso de drogas por nossas crianças, adolescentes e jovens, principalmente pelo uso deste maldito Crack, mas ninguém fala nada e as iniciativas caminham a passos de tartaruga.
Seria muito bom que a crianças salvas do aborto, pudessem ir adiante e não morressem lá na frente abandonadas nas ruas, com uma lata de cola na boca, suja, dormindo em massa nas calçadas, desesperadas por uma pedra de crack e vendendo seus corpos e sonhos para sobreviverem. Este tipo de aborto silencioso e cruel como qualquer outro, “parece aceitável”, poucos falam dele, poucos o denunciam. Desculpem-me, mas não entendo tanta contradição. Quando tomo conhecimento que as crianças estão sendo abortadas, faz-me sofrer da mesma forma que as crianças indefesas morrendo lentamente pelas nossas ruas e praças. O pior é que passamos por elas tão indiferentes e muitos dos nossos políticos mais ainda.
Como muita gente, eu também não estou sem esperança. Desde quando vivi esta experiência na minha família e de quando trabalhei com dependentes químicos, esta realidade nua e crua passou a fazer parte da minha vida. Confesso, sinto-me impotente e omisso tantas vezes, mas tento levar a minha gotinha de água para apagar o incêndio. Acho que despertando para o problema é o começo da mudança porque nossa consciência muda e ficamos inquietos. Não faço ainda coisas muito concretas, mas o meu contato com as crianças de rua não é mais da mesma forma que antes: preconceituosa, indiferente, responsabilizando os outros e preocupado unicamente com meu mundinho. Agora, cada criança que vejo nessa situação, cada mamãe com quem falo, escuto e rezo, vendo-a chorar pelo filho, sinto-me parte e responsável de fazer alguma coisa, qualquer coisa, nem que aparente insignificante, ao menos tentar conscientizar aos outros que este tipo de aborto é também um genocídio tão cruel como o aborto de nossas clínicas clandestinas.    
Antonio Marcos

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