Virtudes da vida de um santo


Talvez as gerações que sucederam Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife (Pernambuco), onde exerceu sua missão junto do povo de Deus, de 12 de março de 1964 a 2 de abril de 1985, homem de vida simples e grande defensor dos direitos humanos, não saibam tanto do extraordinário testemunho da vida deste homem de Deus. De fato, sua memória deve ser permanecida, cultivada e ensinada às novas gerações de católicos. Não se nega em nossos dias a carência de homens profetas como D. Hélder Câmara.

Depois que deixou de exercer o serviço do arcebispado junto à Igreja de Recife e Olinda, permaneceu morando nos fundos da Igreja das Fronteiras, onde vivia desde 1968. Sua luta pelos direitos do homem e pela propagação do Evangelho nunca teve fim. Homem de impulso profético como ninguém, não se fez tímido e temeroso diante da injustiça e da opressão, da omissão dos batizados e dos abusos do poder civil e religioso. Deu sua vida pela causa dos mais pobres e viveu como eles, pobre e acessível. Durante o ano de 2009 foi celebrado o seu centenário de nascimento e sua vida já se encontra sendo analisada no Vaticano para o processo de beatificação.

Aconteceu que D. Hélder Câmara, não sendo mais arcebispo, mas tendo continuado a viver seu testemunho profético, foi submetido a uma das maiores provas da sua vida que era se calar, silenciar. Sua resposta? Obedeceu e calou! Ora, um homem que nunca calou para a injustiça, calou diante da autoridade eclesial, obedecendo porque jamais queria quebrar a comunhão. Não se tratava de medo e nem de ingenuidade de fé, mas de comunhão. O que fazia não levava o próprio nome, mas o nome de Jesus por meio da Sua Igreja, e isto é muito bonito, embora não tenha sido fácil para D. Hélder Câmara. Na verdade trata-se das virtudes da vida de um santo e que contradiz àqueles que pregam a revolta, a desobediência e até a discórdia na Igreja. É divino saber que D. Hélder Câmara estava em comunhão com o seu Bispo e não abria mão desta comunhão por causa alguma. Aliás, não vale a pena caminhar sem a comunhão com o nosso Bispo. É caminhar às apalpadelas e para o erro. Não existe Igreja sem a comunhão com nossos pastores, por mais que sejam falhos e não correspondam ao modo como pensamos o modelo de Igreja. Mais vale a comunhão do que a defesa da soberba intelectual e eclesial.  

Evidentemente esta comunhão começa com os pastores mais pertos de nós, que participam da nossa cotidianidade, tais como o nosso pároco e os sacerdotes de nossa comunidade. Lembro agora do testemunho da vida de Madre Teresa de Calcutá que, quando buscava a aprovação do que acreditava ser inspiração de Deus, deixar sua congregação e fundar uma nova forma de viver a sua vocação junto dos pobres de Calcutá, foi provada na paciência por esperar até doer a alma. Acreditava irredutivelmente ser vontade de Deus, mas estava disposta a obedecer ao seu pastor. Dizia: “Se o senhor me mandar esquecer tudo, sofrerei, mas estou disposta porque Deus não me quer sozinha, mas unida ao meu pastor!” Repito: não se tratava de ingenuidade, mas de amor a Jesus, de amor e comunhão com a Igreja e das virtudes da vida de um santo. Bem que poderíamos falar ainda de São Francisco de Assis, Santa Teresinha, Santa Teresa de Ávila e de tantos outros de nossa geração. Penso ser esta uma das maiores virtudes da vida de um santo, a comunhão na fé e por amor.

Antonio Marcos

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