Logo eu, sr. teólogo Leonardo Boff!


O Sr. teólogo Leonardo Boff (que ficou mais conhecido pelas questões da Teologia da Libertação, no final dos anos 90, e dos seus desentendimentos com a Igreja de Roma por não renunciar suas posições contrárias ao ensinamento do Magistério Eclesiástico) disse recentemente em entrevista ao Jornal O Povo, Ceará (Páginas Azuis: “A lucidez da velhice): “Quando me perguntam: ‘O que você faz na vida?’, ‘Sou um agitador cultural. Agito’. Não quero trazer consolo a ninguém, quero trazer angústia. A angústia faz pensar, conversar, ler.” Nesta entrevista o mesmo falou de felicidade, o que foi possível contemplar muitas questões interessantes e até surpreendentes para muitos, inclusive para mim. Realmente captei uma dimensão de lucidez e sabedoria, mas não fui totalmente convencido.
 

O mesmo teólogo tem uma coluna neste jornal e escreve semanalmente. Quase sempre suas questões giram em torno da Igreja. O Sr. Leonardo Boff não descansa do seu desencantamento, ou melhor, de sua profunda infelicidade quando se trata da relação com a Igreja. Sua cartilha nunca muda: Igreja-poder, papado autoritário, riquezas do clero, ordenação das mulheres, celibato, Magistério autoritário, pretensão eclesial e soberba por se dizer a única Igreja verdadeira, Cardeal Ratzinger: o inimigo da civilização etc. Na coluna desta semana, 09 de agosto, não foi diferente, lamentavelmente.

Qualquer pessoa, ainda que seja sem muito esclarecimento eclesial, mas sensata, identifica de imediato a carga de ressentimentos à Igreja que eclode do coração deste nosso irmão, é lamentável, é trágico, principalmente para um homem tão inteligente. Os pontos abordados e colocados como acusadores da “Igreja-poder” são contraditórios, escolhidos a dedo sem qualquer conexão com seus devidos contextos, o que não significa reconhecer as luzes e sombras da Igreja. No entanto, suas questões deixam claro que se trata unicamente de mágoa à Igreja e vomitórios de um coração doente. Seus textos empolgam muita gente que se identifica com tais revoltas, mas os convidei em comentário ao artigo para que leiam e reflitam mais, principalmente as controvérsias históricas do Sr. Leonardo Boff. Claro, nem tudo o que vem deste teólogo é desprezível, evidentemente, mas quase sempre ele consegue fazer da sua capacidade intelectual apenas uma manifestação da sua angústia pela tamanha insatisfação com os rumos que deu à própria vida. Gosto de lembrar que foi a Igreja que o gerou na fé e lhe concedeu as oportunidades para o seu desenvolvimento.

O Sr. teólogo Leonardo Boff agora geme de ressentimento porque lhe faltou um pouco de humildade. Não é fácil reconhecer o próprio erro, repensar o caminho, as opções e ser humilde para recomeçar. Tenho experimentado isto na minha vida de forma muito concreta, e não é fácil, mas necessário, vital, salvífico. Aos católicos sensatos, lembro: Está longe a diferença entre Dom Helder Câmara e o Sr. Leonardo Boff. Acho que seu vomitório deveria ser não contra a Igreja e nem contra os pontífices, mas contra Marx, Sartre, Che Guevara e tantos outros que fomentaram suas ideias revolucionárias e não o levaram a lugar algum, se não à revolta. Deveria vomitar contra a “teologia fadada” que tanto o encantou e o desencantou, o traiu na verdade. Tal teologia se desfez da mística e da simbólica, da orientação eclesial e da humildade, por isso pagou um alto preço. Pagar um alto preço pelos erros é doloroso! Mais doloroso é perder a esperança e a humildade para recomeçar!

Eu disse ao Sr. teólogo Leonardo Boff, logo eu, mas disse: “Calma meu irmão! Há remédio para a angústia. Só é uma pena que não tenhas aprendido nada das virtudes de Dom Hélder Câmara e de Dom Pedro Casaldáliga, seus expoentes máximos de admiração.” São necessárias a oração, leituras, reflexões, ponderações, reconhecimento de que temos trevas, de que erramos na história e que a Igreja tem suas rugas, da mesma forma que as têm nossos pais, mas não os abandonamos e negamos a paternidade e maternidade por eles serem falhos. Precisa-se sempre da humildade, o que só Deus pode gerá-la em nós, para que não envelheçamos nessa angústia, nessa infelicidade, nessa solidão e considerando-se apenas um agitador cultural. Vamos meu irmão, não sei nada em comparação a você, mas já consigo vislumbrar que preciso recomeçar pela humildade, e ela, reconhece sempre o bem que é a Igreja e aqueles que nos nutriram na fé.

Antonio Marcos   

4 comentários em “Logo eu, sr. teólogo Leonardo Boff!

  1. Querido Pe. Marcos Chagas, conceda-me a benção de Deus!Fico feliz por seu comentário e pela identificação com o texto. É uma honra ter um comentário seu no meu Blog. Reze sempre por mim e continuemos a nossa missão de servirmos ao Evangelho de Cristo. Shalom!

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