Papai, qual o significado deste dia?


Na sociedade judaica era comum a responsabilidade do Pai na formação do filho quanto às suas obrigações religiosas e comunicação de valores. Era o Pai que – embora acompanhado da mãe – cuidava de se responsabilizar por levar o filho para o grande dia da leitura da Torá na Sinagoga, aos doze anos, como assim aconteceu com Jesus. Era o Pai que cuidava de contar ao filho os ensinamentos do Seu Povo, suas convicções de fé no Deus vivo e os preceitos de Deus, as Escrituras. Era o Pai que lhe indicava e ensinava a profissão e estendia as mãos para abençoar o Filho. Poderia se julgar esses atos recorrendo ao contexto patriarcal, mas o Cristianismo em todos os tempos sempre sustentou a imagem do Pai como o primeiro grande reflexo do rosto de Deus e da sua paternidade.
Parece que a sociedade contemporânea mudou os paradigmas e isso é drástico. O “pai moderno” só consegue agora despedir-se do seu filho pela manhã e partir para as suas tarefas e negócios; O mais doloroso é a imagem que a criança tem do “papai do céu” quando contempla o seu pai quase sempre omisso em casa, ou, infelizmente, fazendo a mamãe sofrer pelo adultério ou simplesmente pela indiferença ou o “trato escravo”, desumano, fruto do desamor e do egoísmo dessa loucura da escolha dos bens materiais em detrimento das espirituais, dos valores e das experiências que verdadeiramente edificam: a atenção, o diálogo, o carinho, as provas de amor, o cuidado e a amizade.
Uma sociedade com “arcabouços machistas e materialistas” ainda defende que a missão da mulher é ser uma concorrente do homem, não ter filhos e correr atrás do prejuízo, ganhar dinheiro, fama, poder e respeito. É indiscutível o despreparo de muitas mulheres e mães na formação do homem, na ajuda à humanização do cônjuge. Digo isso porque a “mulher tem uma extraordinária capacidade para o outro”. Poderíamos falar de tantas realidades, tais como as mamães solteiras ou sobre as esposas que aprendem a viver sem o cônjuge pela sua ausência em casa, quase sempre não justificável. O pai está cada vez mais sozinho, sem saber conversar com os filhos na educação da sexualidade ou simplesmente estando presente para conviver, brincar, ser aquele indispensável apoio na hora das conquistas e das dores, por isso faltam aqueles valores que constituem a personalidade madura dos filhos.
Há uma necessidade de interrogarmos ao nosso papai, caso ainda permaneça em nossa convivência ou em casa: Pai, fale-me sobre os dias que se foram? Sobre o segredo e as novidades de cada geração, mas também do seu segredo fundamental que é viver para Deus e na vontade de Deus? Papai, pergunto-te pela sabedoria de que necessita o teu e o meu coração? Na verdade, meu pai, faço-te essas perguntas há certo tempo, mas vejo que não respondes! Onde está tua sabedoria meu pai? Por que teus cabelos brancos não é mais sinal de sapiência e experiência de vida, mas do cansaço e do stress do trabalho? Pai, por que não respondes sobre o significado deste dia? Mas, chega de perguntas, pois, mesmo sem saber respondê-las, “ainda” te amo! 
Antonio Marcos

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