Os pobres: trampolim para a promoção dos políticos!


O Irmão de Assis viu que as pessoas nunca amam o homem puro, a criatura despojada. Amam as qualificações sobrepostas às pessoas. Mas quem vai amar a pessoa quando começa a falhar, um por um, todos os pólos de atração, sobrando apenas a criatura pura e nua? Quem vai olhar para ela? Quem se aproximará? Só um coração puro e desinteressado, pensava o Irmão. Coração puro é o que foi visitado por Deus.
O Irmão viu que, normalmente, se o coração não foi purificado, homem procura a si mesmo nos outros. Serve-se dos outros em vez de servir aos outros. Sempre há um jogo de interesses, secreto e inconsciente.
O caso mais claro é o dos políticos, que sempre proclamam estar interessados pelos pobres. Mas, de fato, em geral os pobres são o seu centro de interesses: servem-se deles como um trampolim para promoverem a si mesmo, construir uma figura social e progredir econômica e profissionalmente. Se esse interesse falhar alguma vez, os políticos abandonarão os pobres com bonitas explicações. Os pobres ficam sempre expostos ao mau tempo, esperando corações puros.
Humanismo? Humanismo é o culto ou dedicação ao simplesmente homem, à criatura despojada de enfeites e carente de pólos de atração. O verdadeiro humanismo é impossível onde não existir um processo de purificação do coração.
Isso não precisaria de uma longa explicação, mas o humanismo puro não pode existir sem Deus, a não ser em escala reduzidíssima. Hoje dó Deus pode fazer a revolução do coração, invertendo os critérios de valor, derrubando instalações e apropriações, e levantando novas escalas de interesses. É por isso que há tão poucos humanistas verdadeiros, e é por isso que os pobres ficam sempre frustrados em suas esperanças, com as mãos cheias de palavras vazias.  
Na história da humanidade houve poucas pessoas tão humanistas como o Irmão de Assis. Colocou veneração onde não havia motivos de apreço. Amou de maneira especial os que não eram amáveis. Quanto menos pólo de atração havia nas pessoas mais aumentava o seu carinho. Nisso, como em tudo, apenas seguiu o exemplo de Jesus.    
Fonte: Inácio Larrañaga. O Irmão de Assis, 1986.

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