Tira-me a espada da ira e cura a minha ferida!


Preocupado com o esquecimento e desprezo que eram dados ao pobre, o Irmão de Assis nunca tinha sido visto tão transtornado. Sua respiração estava agitada e tinha um fulgor de ira no fundo dos olhos. Sentia que todos esses pensamentos lhe faziam mal. Não se sentia bem com essas reflexões, mas não pôde evitá-las; era como uma força superior, vinda de fora e estranha a si mesmo.
O Irmão de Assis chegou à ermida de Santa Maria. Alguma coisa dizia-lhe que a paz tinha fugido como uma pomba assustada. O coração puro nunca deve dar passagem para a ira, pensava, nem mesmo em nome de sagradas bandeiras.
Sentia necessidade de reconciliar-se, mas, com quem? Não sabia. Depois de meditar um momento, disse: Vou me reconciliar com a mãe terra, que mantém em pé e alimenta igualmente todos os filhos. Dizendo isso, ajoelhou-se lentamente. Depois deu um beijo demorado no solo. Ainda de joelhos, apoiou a testa no chão e ficou horas nessa posição. Aliás, era sua posição favorita para rezar.
E disse: Meu Deus, antes de tudo, põe a mão no coração do teu servo para que recupere a paz. Tira-me a espada de ira e cura minha ferida. Sossega o meu coração e as minhas entranhas antes que teu servo pronuncie palavras graves. Nesta tarde de ouro, deposito em tuas mãos de misericórdia estas rosas vermelhas de amor. 
Fonte: Inácio Larrañaga. O Irmão de Assis, 1986.

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