E pensar que até ontem esse mendigo era aquele magnífico senhor!


Depois de ter trabalhado toda a manhã, quando deu meio-dia o irmão de Assis foi para a cidade e, de tigela na mão, batia às portas dizendo: Por amor do Amor, dá-me alguma coisa para comer. Em poucos minutos estava com a tigela cheia de restos de comida.  
As pessoas diziam: e pensar que esse mendigo era até ontem aquele magnífico senhor que preparava banquetes para seus amigos! Com a tigela transbordante na mão, transpôs as muralhas e sentou-se numa pedra embaixo de uma leve sombra. Quando agitou um pouco aquela misturada, com intenção de começar a comer, sentiu o estômago revolver-se e quase vomitou.
Outra vez o burguês! Disse em voz alta. Levantou-se, deixou a comida na pedra enquanto se refazia para superar o problema. Sempre acontece a mesma coisa, começou a refletir. Quando não penso em Jesus e estou distraído, aparece o homem velho com seus instintos e impulsos, e sou capaz de cometer traições e até de cuspir nos pobres. O homem é barro, mas não vou me assustar com isso.
Pouco a pouco foi se acalmando e começou a pensar em Jesus. Com viva sensibilidade,imaginava Jesus caminhando, mendigando, com fome, com sede, comendo agradecido o que lhe davam. Com esses pensamentos, a Presença apoderou-se vivamente de todo o ser, corpo e alma, atenção e sangue. Como Tu, meu Senhor! Disse em voz alta, e voltou para a pedra. Pegou a tigela e, sem deixar de pensar em Jesus, devorou rapidamente aquele estranho manjar. No fim, até limpou o prato com a língua.
Fonte: Inácio Larrañaga. O Irmão de Assis, 1986.

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