O milagre da ressurreição de cada dia

O ocorrido se deu na casa da viúva, em Serepta. O profeta Elias, a pedido do Senhor, fora enviado àquela casa porque Deus tinha um desígnio a realizar ali. É certo que predominava escassez de alimentos e tantas outras necessidades. A viúva não escondeu do profeta o único alimento que tinha, como também não escondeu a sua desesperança: “Certo como vive o Senhor, teu Deus! Não tenho nada preparado, tenho apenas um punhado de farinha na vasilha e um pouco de óleo na jarra; quando apanhar alguns pedaços de lenha, voltarei à casa e prepararei esses alimentos para mim e o meu filho; comeremos e depois morreremos” (1Rs 17, 12).

Um fato decisivo: a mulher ainda não havia acreditado no Deus do profeta, não obstante este milagre! E mais do que milagres, Deus queria a fé daquela mulher. Agora ela se vê diante da doença do filho e pode pensar: “Deus foi bom a pouco, fez um milagre pelo profeta, por que então permite a morte do meu filho?”. Então ela questiona o profeta: “Que há entre mim e ti, homem de Deus? Por ventura vieste à minha casa para me lembrares os meus pecados e matares o meu filho?” (1Rs 17,18). Ora, Elias sabia que estava ali por vontade de Deus, que fora acolhido pela generosidade daquela viúva, mas agora não sabe o que dizer diante da doença do filho e do sofrimento dilacerante da mãe. Sente-se desafiado, talvez impotente, diante da dor e da morte. Por isso recorre a Deus também abalado com aquele sofrimento. A dor do outro e a nossa própria, provam a nossa fé. O sofrimento desconcerta até mesmo os que creem.

O profeta tem consciência que não vem de Deus a dor e o sofrimento, mas suas permissões escondem um bem maior, um desígnio, um mistério de amor e salvação, embora nem sempre entendamos. No entanto, que se saiba, Deus jamais quer a destruição de seus filhos, pois é um Deus de amor e não um carrasco. A súplica do profeta é também remédio para ele mesmo. Suas palavras e ações foram colocadas em dúvidas por aquela viúva. Como pode ser um homem enviado por Deus, se permite que meu filho morra desta forma? Diz o mundo: “Como vocês podem falar de um Deus de amor se há tanta ódio, sofrimento e morte no mundo?” Eis a decisão do profeta: “Dá-me o teu filho!”. E com a oferta do filho nas mãos, Elias apresenta a Deus também a sua dor e os seus questionamentos, mas jamais sem perder a fé e a confiança.

“Eis aqui o teu filho!” (1Rs 17,23). A vida voltou e, mais do que a vida e o milagre da ressurreição, voltavam a esperança e a fé daquela mulher no Deus do profeta: “Agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca”. Eis o mais importante: Deus continua agindo pelos que confiam n’Ele! Não se trata de milagres físicos somente, porque o maior milagre de cada dia é a fé e a confiança em Deus, principalmente diante de tantas experiências de morte que nos questionam se Deus realmente está com o homem e a favor do homem. Sim, Ele está! Viver nesta fé é uma ressurreição diária!


Antonio Marcos

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