A felicidade de encontrar um amigo

Diz o filósofo Cícero: “Pode-se ‘viver a vida’ sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá de mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo? De que nos valeria a felicidade se não tivéssemos quem com ela se alegrasse tanto quanto nós próprios? Bem difícil seria suportar adversidades sem um amigo que as sofresse mais ainda. Enfim, todos os bens desejados pelo amigo, apresentam, cada qual, uma vantagem específica: as riquezas são para serem usadas; os recursos, para alcançar consideração; as honras, para obter louvor; os prazeres, para serem gozados; a saúde, para não se sofrerem dores e para satisfazer às necessidades da vida física. Ora, a amizade encerra em si inumeráveis utilidades. Para onde quer que te voltes, lá está ela a teu alcance; não há lugar onde ela não esteja; nunca é intempestiva, nunca é molesta. Por isso, nem o fogo nem a água, como se diz, são usados em tantos lugares quanto a amizade. E aqui não falo da amizade vulgar e medíocre, que no entanto, ela própria, deleita e é útil: falo da amizade verdadeira e perfeita. A amizade faz a felicidade mais esplêndida e, pela partilha e comunicação, ameniza a adversidade.”

Do Tratado sobre a Amizade, Marco Túlio Cícero, 106 a. C – Ed. Martins Fontes, 2001, SP.

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